Trabalhar a coordenação motora na Educação Infantil não precisa significar preparar atividades complicadas ou comprar materiais específicos. Com propostas simples e bem planejadas, é possível criar situações em que as crianças explorem movimentos, manipulem objetos, experimentem diferentes materiais e desenvolvam novas habilidades enquanto brincam.
Neste artigo, você encontrará 10 atividades de coordenação motora para Educação Infantil, divididas entre coordenação motora fina e grossa, com materiais simples, modo de aplicação e sugestões para adaptar cada proposta à realidade da turma.
Coordenação motora fina e grossa: qual a diferença?

Antes de escolher uma atividade, vale entender rapidamente o que estamos trabalhando.
A coordenação motora fina está relacionada a movimentos mais precisos, principalmente das mãos e dos dedos. Rasgar, amassar, encaixar, modelar, pintar e recortar são exemplos de ações que exigem esse tipo de controle.
Já a coordenação motora grossa, também chamada de coordenação ampla, envolve movimentos maiores do corpo, como correr, pular, equilibrar-se, rolar e realizar percursos.
Na prática, as duas podem aparecer durante as brincadeiras e experiências da Educação Infantil. A própria BNCC destaca, no campo Corpo, gestos e movimentos, experiências que envolvem exploração corporal, deslocamentos, brincadeiras e diferentes formas de expressão.
Agora vamos às atividades.
10 atividades de coordenação motora para Educação Infantil

1. Pregadores no caminho das cores
Faixa etária: aproximadamente 3 a 5 anos
Materiais: pregadores de roupa e cartões ou folhas coloridas.
Prepare cartões com duas ou três cores. A criança deverá prender os pregadores correspondentes na borda do cartão, seguindo a sequência apresentada.
Por exemplo:
vermelho → amarelo → vermelho → amarelo
Depois, você pode criar sequências um pouco mais longas.
O que trabalha: movimento de pinça, coordenação olho-mão, atenção e percepção visual.
Para variar: para crianças que ainda estão desenvolvendo o controle dos dedos, comece com apenas uma cor e deixe que explorem o movimento de abrir e fechar o pregador antes de exigir uma sequência.
O uso de pregadores é uma proposta recorrente para trabalhar movimentos de mãos e dedos justamente por exigir precisão e controle.
2. Rasgar, separar e preencher
Faixa etária: aproximadamente 3 a 5 anos
Em vez de simplesmente pedir que a criança rasgue papel e cole em um desenho, transforme a proposta em um pequeno desafio.
Entregue papéis de duas ou três cores e uma figura simples dividida em áreas. A criança deverá:
- rasgar o papel;
- separar os pedaços por cor;
- escolher a cor correspondente;
- preencher cada parte da figura.
O que trabalha: movimentos dos dedos, coordenação olho-mão, percepção visual e organização.
Essa atividade pode ser feita com uma figura grande, evitando áreas muito pequenas que tornem a proposta desnecessariamente difícil.
3. Massinha: do movimento à forma
Faixa etária: aproximadamente 2 a 5 anos
A massinha pode render muito mais do que simplesmente “brincar livremente”.
Comece pedindo que as crianças façam:
bolinhas → rolinhos → pequenas tiras → formas simples.
Depois, proponha um desafio:
“Vamos fazer três bolinhas pequenas e depois transformar todas em uma minhoca comprida?”
Para as crianças maiores, você pode apresentar um modelo simples para reproduzir.
O que trabalha: movimentos das mãos e dedos, força, controle e criatividade.
A modelagem é uma das práticas utilizadas para estimular movimentos da coordenação motora fina.
4. O caminho que o lápis precisa seguir
Faixa etária: aproximadamente 4 a 5 anos
Crie no papel caminhos largos e variados:
- linha reta;
- curva;
- zigue-zague;
- espiral;
- caminho com mudanças de direção.
A criança deve percorrer o caminho com lápis, giz de cera ou outro instrumento adequado.
Mas não transforme a proposta em uma corrida.
O objetivo é perceber como a criança controla o movimento e acompanha visualmente o percurso.
O que trabalha: coordenação olho-mão, controle dos movimentos e precisão.
Para adaptar: comece com caminhos largos e, gradualmente, reduza a largura conforme a criança demonstre segurança.
5. Encaixe e sequência
Faixa etária: aproximadamente 2 a 5 anos
Utilize peças grandes de encaixe, tampas grandes ou outros objetos seguros disponíveis na escola.
Primeiro, deixe a criança explorar livremente.
Depois, proponha pequenos desafios:
“Você consegue colocar três peças?”
Em seguida:
“Agora vamos fazer uma sequência: grande, pequeno, grande, pequeno.”
Para crianças maiores, aumente gradualmente a complexidade do padrão.
O que trabalha: coordenação olho-mão, precisão, percepção visual e resolução de pequenos desafios.
Coordenação motora grossa: atividades para movimentar o corpo
Nem todo trabalho de coordenação motora precisa acontecer sentado à mesa. Na Educação Infantil, o movimento corporal também oferece importantes oportunidades de exploração.

6. Caminho de equilíbrio
Faixa etária: aproximadamente 3 a 5 anos
Use fita adesiva para criar um caminho no chão.
Comece com uma linha reta e peça que as crianças caminhem sobre ela.
Depois, acrescente curvas.
Quando a turma estiver confortável, proponha novos desafios:
“Agora vamos caminhar bem devagar.”
“Agora vamos andar até o final carregando uma bola pequena.”
O que trabalha: equilíbrio, controle corporal, orientação espacial e atenção.
Não é necessário tornar a atividade uma competição. Cada criança pode realizar o percurso no seu próprio ritmo.
7. Circuito dos movimentos
Faixa etária: aproximadamente 3 a 5 anos
Monte um circuito simples utilizando materiais que a escola já possui.
Por exemplo:
passar por baixo da corda → contornar um cone → pular dentro de dois círculos → caminhar até a linha final.
O circuito pode ser pequeno. O mais importante é que as crianças precisem realizar movimentos diferentes em sequência.
O que trabalha: coordenação motora ampla, equilíbrio, deslocamento e percepção do próprio corpo.
Circuitos e obstáculos são exemplos frequentes de propostas voltadas à coordenação motora grossa.
8. O caminho dos animais
Faixa etária: aproximadamente 3 a 5 anos
Escolha alguns animais conhecidos pelas crianças e transforme seus movimentos em um pequeno percurso.
Por exemplo:
🐸 Sapo: pequenos saltos.
🦀 Caranguejo: deslocamento lateral.
🐍 Cobra: rastejar.
🐦 Pássaro: caminhar movimentando os braços.
Você pode contar uma pequena história:
“Hoje vamos atravessar a floresta. Para chegar ao outro lado, precisamos passar pelo caminho dos animais.”
Isso dá um sentido de brincadeira à atividade, sem transformar o exercício motor em uma sequência mecânica.
O que trabalha: coordenação corporal, equilíbrio, deslocamento e percepção dos movimentos.
9.Resgate dos objetos
Faixa etária: aproximadamente 3 a 5 anos
Materiais: uma caixa ou cesto, objetos grandes e seguros e dois recipientes.
Espalhe os objetos pelo espaço e coloque um cesto em um ponto de partida. A criança deverá pegar um objeto por vez, levá-lo até o cesto e colocá-lo dentro.
Depois, acrescente pequenos comandos:
“Pegue o objeto azul e coloque dentro do cesto.”
“Agora pegue o objeto que está perto da cadeira.”
“Leve o objeto até o cesto caminhando de costas.”
Para as crianças maiores, você pode criar um pequeno percurso entre o objeto e o cesto, passando por um ponto determinado antes de fazer a entrega.
O que trabalha: coordenação motora ampla, orientação espacial, equilíbrio, controle dos movimentos e atenção às instruções.
Para adaptar: para crianças menores, deixe os objetos próximos e dê apenas um comando por vez. Para as maiores, aumente a distância, inclua mais objetos ou combine duas orientações.
Essa proposta conversa bem com a BNCC, especialmente com objetivos do campo “Corpo, gestos e movimentos” relacionados ao deslocamento no espaço, orientação por noções espaciais e combinação de movimentos.
10. Bola no alvo
Faixa etária: aproximadamente 3 a 5 anos
Coloque um alvo grande em uma parede baixa ou no chão e utilize uma bola macia.
A criança deverá lançar a bola tentando acertar o alvo.
Comece com uma distância pequena. Conforme a turma se familiarizar com a proposta, aumente um pouco a distância.
Para deixar a atividade mais interessante, você pode criar alvos com diferentes tamanhos.
O que trabalha: coordenação entre visão e movimento, controle dos braços, direção e força.
Como adaptar as atividades para diferentes idades?
Uma mesma atividade pode funcionar para crianças com diferentes níveis de desenvolvimento. O segredo está em ajustar o desafio, e não simplesmente trocar a atividade.

Uma criança que ainda está desenvolvendo o controle dos movimentos pode receber um caminho mais largo, peças maiores ou uma sequência mais curta.
Outra criança, já mais segura, pode receber um percurso mais elaborado, uma sequência maior ou uma tarefa que exija mais precisão.
Por isso, observe o que a criança consegue realizar e faça pequenas mudanças.
Mais simples: objetos maiores, caminhos mais largos, menos etapas.
Mais desafiador: mais etapas, mudanças de direção, sequências maiores ou movimentos combinados.
O objetivo não é descobrir quem termina primeiro, mas oferecer oportunidades para cada criança avançar a partir do que já consegue fazer.
Como inserir essas atividades na rotina da Educação Infantil?
As atividades de coordenação motora não precisam ocupar um período inteiro da rotina.
Uma proposta de poucos minutos pode fazer parte de diferentes momentos do dia: uma atividade dirigida, um circuito antes de uma transição, uma proposta de exploração ou até uma brincadeira planejada para pequenos grupos.
O mais importante é que exista intencionalidade na escolha da experiência, considerando o que a turma precisa explorar naquele momento.
Se você também está organizando os diferentes momentos do dia e quer pensar a rotina de maneira mais intencional, vale conferir o artigo Rotina na Educação Infantil: Como Organizar o Dia com Intencionalidade Pedagógica.
Coordenação motora também acontece enquanto a criança aprende
Trabalhar coordenação motora não significa separar desenvolvimento motor de aprendizagem.
Quando a criança encaixa peças, segue um percurso, organiza objetos, modela, rasga papel ou participa de uma brincadeira de movimento, ela está explorando diferentes possibilidades com o próprio corpo.
Por isso, atividades motoras podem fazer parte de propostas mais amplas de aprendizagem, especialmente quando o professor observa o que está sendo desenvolvido e adapta o desafio à turma.
Se você procura outras ideias de propostas para trabalhar diferentes aspectos do desenvolvimento infantil, confira também Educação Infantil: Atividades Práticas para Desenvolver a Aprendizagem.
Dicas para trabalhar coordenação motora sem complicar a rotina
Algumas escolhas simples podem tornar essas atividades mais proveitosas:
- Varie as experiências: alterne atividades de mesa com propostas que envolvam movimento.
- Use materiais disponíveis: pregadores, papel, massinha, fita adesiva, bolas e peças de encaixe já podem render boas propostas.
- Demonstre antes: principalmente com crianças menores, mostrar o movimento costuma ser mais eficiente do que explicar muitas etapas.
- Respeite o ritmo: nem todas as crianças terão o mesmo nível de controle motor.
- Aumente o desafio aos poucos: pequenas mudanças já podem transformar uma atividade conhecida.
- Priorize a segurança: materiais pequenos, tesouras e atividades com deslocamento exigem supervisão e adequação ao grupo.
- Observe em vez de comparar: o mais importante é perceber avanços individuais.
Conclusão
As melhores atividades de coordenação motora para Educação Infantil não precisam ser caras, demoradas ou difíceis de preparar. O que faz diferença é oferecer experiências variadas, adequadas à idade e com desafios que façam sentido para as crianças.
Ao alternar propostas de coordenação fina e grossa, o professor amplia as oportunidades de exploração do corpo, dos objetos e do espaço, tornando a aprendizagem mais ativa e significativa.
E o melhor: muitas dessas atividades podem ser adaptadas com materiais que já fazem parte da rotina escolar.
Sua rotina escolar pode ser mais leve sem deixar de ser intencional, criativa e significativa.
Referências pedagógicas
Este artigo considera orientações da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), especialmente o campo de experiências “Corpo, gestos e movimentos”, que contempla a exploração do corpo, os deslocamentos, as brincadeiras e o desenvolvimento das habilidades manuais na Educação Infantil.
Fontes consultadas:
- BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
- BRASIL. Ministério da Educação. Caderno de Práticas da BNCC – Educação Infantil. Reúne experiências e práticas pedagógicas desenvolvidas em diferentes contextos escolares.
- SACCHI, Ana Luisa; METZNER, Andreia Cristina. A percepção do pedagogo sobre o desenvolvimento psicomotor na Educação Infantil. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos.
Observação: As atividades apresentadas são sugestões pedagógicas e devem ser adaptadas à faixa etária, às características da turma, aos materiais disponíveis e às condições de segurança de cada ambiente.
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Igor Tadeu é criador e editor do PedagogaMente. Mineiro do Vale do Jequitinhonha, é formado em Gestão da Tecnologia da Informação e pós-graduado em Políticas Públicas, Gestão e Serviços Sociais. Filho de professores e casado com uma professora, criou o PedagogaMente com o objetivo de oferecer materiais, informações e recursos práticos que ajudem professores da Educação Infantil e dos Anos Iniciais a economizar tempo nos bastidores da rotina escolar.
